IMG_3624
IMG_3615

Maria Paula Bandeira

Recife – PE
34 anos
Advogada; aposentada; professora na faculdade de direito

Viver o hoje era uma teoria. Mas aprendi a dar a ele a sua importância e o meu melhor. Eu planejava ser uma mulher diferente, mas passei a ser generosa comigo mesma, adaptar os meus planos à vida que é possível. O meu melhor é o meu vivido.

O primeiro diagnóstico de câncer de mama foi em 2011, quase dez anos já. Não foi uma escolha, como foi com meu marido e minha profissão. Aconteceu, não posso negar, tenho que conviver, como convivo com outras coisas que eu também não escolhi, mas que fazem parte da minha vida. Claro que eu preferia ter aprendido essas coisas sem sofrimento, mas já que veio, vou fazer a minha parte.

Foi uma mudança brusca na vida de todos, mas nos ajustamos. Eu tinha uma certa dificuldade de perceber o que ia me fazer bem e o que era egoísmo. Mas vi que, quando eu quero o melhor para mim, isso cuida de quem me ver feliz. Aprendi que não basta amar, tem que se deixar ser amada também.

Depois da metástase, em 2016, vi que o tempo não precisa só ser esticado, mas também alargado. Eu alargo e coloco nele tudo que é importante para mim. Demonstro meus sentimentos, meus afetos. Nunca senti essa trava de falar sobre o que vivo. Acho que falar é dar mais um passo na direção de criar uma sociedade que enxergue uma pessoa para além do seu diagnóstico.

Metástase

Cerca de 30% dos casos de câncer de mama se tornam metastáticos, mesmo quando detectados no início. A doença acontece quando o tumor inicial se espalha para outras partes do corpo, como ossos, pulmão, fígado e cérebro.

Fonte: https://www.breastcancer.org/symptoms/types/recur_metast