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Josiane Pereira Damasceno

Belém – PA
47 anos
Administradora de empresas

A gente vive uma utopia. A morte não é um assunto sobre o qual a gente fala. Foi com a pandemia que a maioria das pessoas descobriu que pode acontecer a qualquer momento. E o câncer em especial, tem gente que não gosta nem da palavra, diz que só de falar traz mau agouro. Nada disso. Falar faz você entender o valor que tem a informação que vai fazer a diferença no seu tratamento, na qualidade da vida que você vai ter.

Converso muito com os médicos. Quando eu recebi o primeiro diagnóstico, aos 41 anos, fazia dois que eu tinha ficado viúva. Esperávamos que isso passasse. O câncer não é o fim da linha, não é uma sentença de morte. Tenho meus perrengues, dias bons e dias ruins, mas consigo fazer minhas coisas, porque há medicamentos que ajudam a lidar com a dor e trazem qualidade de vida. Mas a notícia da metástase, em 2016, abalou muito a família. Eu tenho uma rede de apoio, mas eles não.

Por causa do câncer conheci muitas pessoas, muitos lugares, e aprendi a valorizar o momento, a casa, a vida. Estamos aprendendo a perder o medo de falar sobre o que estamos sentindo. Diálogos intensos, nem sempre bons, mas uma construção. Dói, mas não dá para deixar pendente. E esse, para minha família, é o meu legado.

Novos casos

O Instituto Nacional do câncer estima que surgirão mais de 66 mil casos novos de câncer de mama para cada ano do triênio 2020-2022. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama feminino é o mais frequente em todas as regiões do país.

Fonte:https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//estimativa-2020-incidencia-de-cancer-no-brasil.pdf