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Francisca Spíndola Ataídes Rocha

Brasília – DF
51 anos
Professora de língua portuguesa

Por conta do meu histórico de saúde, duas irmãs e uma tia com câncer de mama, eu sempre fiz muita consulta, de seis em seis meses. Aos 41 anos, meu médico pediu para procurar um mastologista. Era minúsculo, um centímetro, eu lembro até o vestido que eu estava usando. A oncologista disse: desce uma lágrima de um olho, toma aqui um abraço e vamos fazer quimio.

O tratamento foi desafiante: medo da doença, meu filho adolescente, marido e as irmãs se revezando para me acompanhar nas sessões, eu sem cabelo, sem mama… eu não diminuo isso para ninguém. Aprendi a ter paciência, fé, a lutar, a aceitar as limitações e a tomar decisões. É minha vida, meu corpo, minha autoestima.

Antes do câncer eu trabalhava muito, não tinha esse tempo para nada, apesar de me dizerem que tenho o dom de juntar pessoas. A luta me fez conhecer muita gente. E apesar de eu estar em remissão há 10 anos, sigo sendo uma das mediadoras do grupo Meninas de Peito, que é o meu mundo. Acho que isso combina com o sentido da vida, que para mim é servir. Ajudar.

Eu não gosto que me chamem de heroína. Você passa por uns perrengues, aprende algumas coisas, mas não melhora em outras, não. A gente é o que é, e vai se tornando conforme vai vivendo. Eu quero continuar tendo planos, projetos, sonhos. Ter saúde, viajar, ser avó. Mas vou vivendo a vida um dia de cada vez, que é como tem que ser.

Saúde mental

Viver com câncer de mama metastático é desafiador. Aprender com ele e priorizar a saúde mental é tão importante quanto priorizar a saúde física, de acordo com a organização americana Breastcancer.org.

Fonte:https://www.breastcancer.org/symptoms/types/recur_metast/living_metast/mental-healthcare