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Cris Gil

Belo Horizonte – MG
45 anos
Publicitária e produtora cultural

Sem querer romantizar, mas essa noção de finitude me salvou de viver no automático. Entendi que há certas coisas que não dá para deixar passar, fingir e ignorar o que quero para mim e para o mundo. Revi minha relação com o trabalho e com a alimentação, me considero mais saudável que muitos. E quero viver fazendo o que gosto. Até bloco de carnaval eu fundei.

O câncer de mama tem efeitos no corpo, na autoestima, e o rótulo de mulher maravilha deixa muito pesado. Eu não sou uma guerreira, sou uma pessoa normal, e uma mulher real, com inseguranças e medos, e que tem seus momentos de enfrentamentos, como todas as outras pessoas. Mas, sim, eu aprendi umas coisas.

O primeiro diagnóstico veio aos 34 anos, e foi um desafio encarar que estava doente. Fiz quimio, radioterapia e mastectomia bilateral, tudo pelo SUS. Agora, com a metástase, lido com o desafio de não me tornar refém disso. Eu tenho a doença, mas ela não me tem, e não pode ser maior, nem mais importante do que eu.

O foco é a vida e foi diante dela, não da morte, que tomei as minhas decisões. Eu era muito livre, independente, e não aceitava ser cuidada. Com o tempo percebi que era uma troca, fazia bem para todos. Acho importante também a fé. Eu foco muito no meu religare, que é esse ligar-se ao sentido da vida. É de religare que vem a palavra religião. Eu me religo todos os dias. A gente não precisa estar doente para se religar.

Diversas pesquisas revelam que pessoas que possuem crenças e/ou práticas espirituais se adaptam mais facilmente aos problemas de saúde. Os possíveis benefícios para a saúde mental e bem-estar têm consequências fisiológicas que influenciam positivamente a saúde física e o tratamento, segundo artigo publicado na revista ISRN Psychiatry.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3671693/