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Claudia Garcia da Silva Melo

Ribeirão Preto – SP
47 anos
Administradora e coach

Quando eu recebi o diagnóstico, percebi que nada que eu fizesse, fosse chorar, fosse pensar positivo, mudaria o fato de que minha vida continuava na mão de Deus. Lembro que quis procurar alguma palavra de conforto na Bíblia e encontrei um trecho falando que, entre as descidas das ladeiras e as subidas às colinas, era preciso manter o coração num terreno plano. Me ajudou muito.

Não vou ser hipócrita, foi difícil. Primeiro o diagnóstico, e isso com os filhos recém-saídos de casa, e às vésperas do marido iniciar um tratamento quimioterápico para um câncer diagnosticado um pouco antes. Senti medo, virei uma vaquinha de presépio, fazia tudo que me diziam ser bom. A aflição acabou quando meu filho disse: mãe, você sempre correu atrás de tudo para todos, é hora de correr atrás para você.

Isso virou uma chavinha na minha cabeça. Passei a me informar sobre a doença, aprendi os jargões, os trâmites burocráticos, me atualizei sobre os protocolos, e a partir daí construí uma outra relação com o meu médico. No meio disso meu marido sempre muito positivo, os amigos vindo visitar, trazendo comida… nos sentimos muito amados.

Sigo em tratamento e estou voltando a trabalhar. Sonho em montar uma ONG para orientar as pessoas. Não me privo de nada: nadar, ler, assistir séries, caminhadas. Sou feliz e grata pelo sorvete no fim da tarde, um passeio de carro com os filhos. O câncer não foi bom, mas eu escolhi como ressignificar isso, e o ressignificado foi bom. A vida é um sopro.

Trabalho

66% das pessoas com câncer voltam a trabalhar por razões financeiras; 46% porque se sentem bem e 43% porque querem levar uma vida o mais normal possível, apontam pesquisas da organização Cancer and carrers.

Fonte: https://www.cancerandcareers.org/en/about-us/the-issue