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Ana Maria Batista Peixoto

Recife – PE
40 anos
Policial militar, enfermeira

Sou do sertão pernambucano, Parnamirim, e até os sete anos morei em casa de taipa, sem água e sem luz. Eu sou uma vencedora, sim, mas guerreira, não, não gosto. Eu não tenho opção. Acordo cedo, agradeço, me alimento bem, me exercito sete dias por semana, faço meus exames, vivo a vida. Quando eu choro, eu choro. Mas depois, do jeito que veio, vai embora.

Até os 34 anos nunca tive nada. Fui fazer um ultrassom, apareceu um nódulo, fiz biópsia, pensei: vamos fazer cirurgia e pronto. E depois quimio, radio. Eu tinha casado há três anos, passei uma semana chorando. Em 2016 apareceu de novo, fiz outra quimio, e agora em julho uma terceira vez. Metástase. Mas a morte é certa para todos, tem gente com diabetes que está mais doente do que eu. Eu vivo bem as incertezas.

Eu já vivia muito bem sem o câncer. Viajava, tinha uma boa relação com a minha família, mas foi bom descobrir quem são meus amigos de verdade. A pior coisa do câncer é que as pessoas olham para você com dó. Hoje só tenho amigas com câncer. Vivemos com uma doença crônica, mais comum que imaginamos, e a metástase não é o fim da vida. O hoje é a minha cura.

Quimioterapia

Em torno de 50% das quimioterapias feitas no Brasil pelo SUS foram destinadas a pacientes com câncer em estágio avançado ou metastático.

Fonte: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//rrc-32-gestao-por-um-novo-comeco.pdf