2
3

Ana Paula de Oliveira

Campinas – SP
40 anos
Dona de casa

No ano passado notei um carocinho no autoexame. O diagnóstico me lembrou que um dia eu vou morrer, mas também foi por causa dele que eu percebi que agora estou viva e isso é o que importa. O câncer não é um monstro, é só uma célula tentando sobreviver, igual a você. Mas como essa célula está desequilibrada, isso traz consequências, então eu converso com ela: vamos equilibrar?

Quanto mais eu falo, para dentro e pra fora de mim, mais eu entendo, e mais leve fica. É estranho que as pessoas não acreditem que você vai viver muito. Encontrei isso também entre os médicos. Eu entendo, porque eu já fui assim, mas precisa mudar. Eles precisam acreditar que você está viva, e que vai ficar viva, para você possa querer estar viva.

Mas, de tudo, mais difícil é lidar com a dor de quem me ama. Peço para não ficarem tristes, porque por enquanto eu estou aqui. Minha avó, que teve câncer de estômago, eu acho que morreu já no diagnóstico. Eu não. Decidi viver. Fui para uma cirurgia, retirada dos ovários, achando que ia dar tudo certo, e deu tudo errado. No meio dos procedimentos, eu percebendo o nervosismo na sala, perguntei se alguém podia me trazer um pedaço de melancia. Quando todo mundo riu, me fez bem e eu fiquei bem. Eu encaro como uma viagem, as partes boas no meio das ruins. Como é a vida, aliás.

Autoexame

66,2% dos casos de câncer de mama são detectados pela primeira vez pelas próprias pacientes, incluindo a doença em estágio inicial e intermediário.

Fonte: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//rrc-36-capa-pingos-nos-is.pdf